Estes vídeos já deviam ter sido postados aqui há tempos, mas antes tarde do que nunca.
Chomsky tem um modo de colocar as coisas muito lúcido. A entrevista dele para o Roda Viva, por exemplo, é clara e coerente. Algo que muito me agrada nele é esse exercício de refletir o significado das expressões e das palavras, como capitalismo, socialismo entre outras. Ele compreende bem que a apropriação do significado, que a semântica, joga um papel crucial em qualquer debate e desconstrói uma série de imputações apressadas ou devidamente transfiguradas para propósitos torpes em torno dessas palavras, especialmente as duas já citadas.
Desnecessário dizer que Chomsky é dotado de uma vasto conhecimento histórico e dos fatos atuais e processa isso sempre com a intenção de nos instigar a busca de uma alternativa mais libertária ao tempo indigente que vivemos. Chomsky ainda questiona de maneira plácida toda essa bobagem da naturalização da cultura. A cultura e o modo como o homem se organiza não estão submetidos a leis da natureza.
No primeiro vídeo Chomsky ‘flerta’ com uma leitura do Kurz (O colapso da modernização), que vê a União Soviética como uma forma de capitalismo de Estado comparável a fase mercantilista do capitalismo ainda sobre o regime dos déspotas. Ele sabe, que nenhum ‘capitalismo’ funcionou sem um Estado que não jogasse em prol das classes que dominam o capital, os meios de produção.
A resposta dele à primeira ‘pergunta’ de Daniel Piza no Roda Viva é uma banho de compreensão e conhecimento e também de desmascaramento dessas leituras apressadas.

É um grande linguista e consegue entender que o debate é sempre consequência da própria linguagem, não dá pra se esclarecer sem entender por o que se quer dar de significado à cada coisa e não estamos falando de significado manifesto, mas sim daquele que fica no próprio inconsciente.