(Post 6) A libertação é possível!
A superação do trabalho
“A emancipação social só pode ter como conteúdo, não a revalorização do trabalho, mas a sua desvalorização consciente.” “O renascer de uma crítica radical do capitalismo pressupõe uma ruptura categorial com o trabalho. Só quando se estabelecer um novo objetivo de emancipação social num plano situado para lá do trabalho e das categorias fetichistas dele derivadas (valor, mercadoria, dinheiro, Estado, forma jurídica, nação, democracia, etc.), é que se tornará possível uma re-solidarização de nível elevado e à escala de toda a sociedade.”
Para isso é preciso ainda uma ruptura com a lógica dos lobização e da individualização, fenômenos sintomáticos da crise do trabalho, vide o principio do salva-se quem puder.
“O ponto de partida desta rotura não pode ser um novo princípio universal e abstrato, mas apenas a repulsa que cada um sente perante a sua existência enquanto sujeito do trabalho e da concorrência, e a recusa categórica de ter que continuar a funcionar assim, em circunstâncias cada vez mais miseráveis.” “O lema da emancipação social só pode ser: tomemos aquilo de que necessitamos!”
“O mal-estar existe em larga escala dentro do capitalismo, mas é reprimido para o subsolo socio-psíquico. E não é chamado à superfície. Por isso é necessário um novo espaço intelectual livre para que o impensável possa tornar-se pensável. É preciso quebrar o monopólio que o campo do trabalho mantém sobre interpretação do mundo. Neste processo, à crítica teórica do trabalho cabe o papel de catalisador.”
“Os adversários do trabalho serão acusados de não passarem de fantasistas. A história teria comprovado que uma sociedade não pode funcionar se não se basear nos princípios do trabalho, da coerção produtiva, da concorrência em economia de mercado e do egoísmo individual. Quereis, portanto, afirmar, vós, apologistas do status quo dominante, que a produção capitalista de mercadorias veio de fato proporcionar uma vida minimamente aceitável para a maioria dos homens?
Dizeis que o sistema «funciona», justamente quando o crescimento vertiginoso das forças produtivas expulsa da humanidade milhões de indivíduos que podem ficar felizes por sobreviverem nas lixeiras? Quando milhões de outros, que mal suportam a vida frenética a que os obriga a ditadura do trabalho, caem no isolamento e na solidão, narcotizam a inteligência sem qualquer prazer e adoecem física e psiquicamente?”
“Argumentaram que, com uma eventual superação da propriedade privada e da obrigação de ganhar dinheiro, cessaria toda a atividade e instalar-se-ia a preguiça generalizada. Confessais, portanto, que todo o vosso sistema «natural» se baseia em pura coerção? E que, por isso, temeis a preguiça como pecado mortal contra o espírito do ídolo trabalho? Os inimigos do trabalho, porém, não têm nada contra a preguiça. Um dos nossos objetivos principais é a reconstrução da cultura do ócio, que antigamente todas as sociedades conheciam e que foi destruída para impor uma produção sem descanso e sem sentido.”
“Não dizemos que todas as atividades se tornarão um prazer. Umas mais, outras menos. Naturalmente, há sempre algo que necessariamente tem de ser feito. Mas quem há de se assustar se com tal coisa, se a vida não for consumida nisso? E haverá sempre muito mais coisas que podem ser feitas por livre escolha. Porque faz falta a atividade, tal como faz falta o ócio. Ora, o trabalho nunca conseguiu suprir esta falta. Limitou-se a instrumentalizá-la no seu interesse, a sugá-la vampirescamente.”
“Desde que subtraídas às coerções materiais do trabalho, tipicamente capitalistas, as modernas forças produtivas podem ampliar gigantescamente o tempo livre em benefício de todos. Para quê passar horas e horas, dia após dia, nas fábricas e nos escritórios, se é possível pôr autômatos de todos os tipos a realizar a maior parte dessas atividades?”
Evidentemente, além disso, “A maior parte dos complexos tecnológicos tem de ser totalmente transformada, uma vez que foram construídos de acordo com os estritos padrões da rentabilidade abstrata. E, por essa mesma razão, há muitas outras possibilidades técnicas que não chegaram sequer a ser desenvolvidas. Embora a energia solar possa ser obtida em qualquer esquina, a sociedade do trabalho instalou por todo mundo centrais elétricas perigosas, localizadas em zonas densamente povoadas.
E, embora há muito se conheçam métodos limpos de produção agrícola, o calculismo abstrato do dinheiro verte toneladas de veneno nas águas, destrói os solos e inquina os ares. Por razões estritamente decorrentes da economia empresarial, os materiais de construção e os alimentos dão três voltas ao mundo, embora na sua maior parte essas coisas pudessem ser facilmente produzidas nas proximidades do local em que vão ser utilizadas, sem necessidade de recorrer a transportes de longa distância. Uma parte substancial da técnica capitalista é tão insensata e supérflua como o dispêndio de energia humana que implica.”
“Mas não seremos exageradamente otimistas. Não podemos saber se será bem sucedida a libertação desta forma de vida condicionada. Está em aberto a questão de saber se a derrocada do sistema do trabalho conduzirá à superação da respectiva loucura ou ao fim da civilização.”
“Os poderes dominantes podem declarar-nos loucos, porque arriscamos a ruptura com o seu sistema coercivo irracional. Não temos nada a perder, a não ser a perspectiva da catástrofe para onde esses poderes nos conduzem. Temos um mundo a ganhar, para lá das fronteiras do trabalho.”
PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, ACABEM COM ELE!